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Jornada 52 Semanas

36/52 - Esther Perel

Esther Perel revela como amor, presença, maturidade emocional e consciência ajudam a construir relacionamentos saudáveis, duradouros e mais profundos.

Andrea Maciel8 min de leitura

Esther Perel: Por Que Amar Também É Uma Escolha

Modelar Esther Perel é refletir sobre uma pergunta que muitas pessoas fazem apenas quando o relacionamento começa a enfrentar dificuldades.

O que realmente faz o amor permanecer?

Vivemos em uma cultura que frequentemente associa o amor à intensidade do sentimento.

Se existe paixão, acreditamos que existe amor.

Se existe desejo, acreditamos que a relação está bem.

Se o sentimento diminui, começamos a questionar se ainda vale a pena permanecer.

Mas a trajetória profissional de Esther Perel nos convida a olhar para o amor de uma maneira muito mais madura.

Para ela, os relacionamentos humanos são atravessados por paradoxos.

Queremos segurança, mas também queremos liberdade.

Queremos intimidade, mas também precisamos preservar nossa individualidade.

Queremos conhecer profundamente quem amamos, mas o desejo também precisa de curiosidade, novidade e espaço.

Seu trabalho nos ajuda a compreender que amar não significa apenas sentir.

Significa também aprender a construir.

E construir exige presença, consciência e escolhas.

O Início de Uma Trajetória Incomum

Esther Perel nasceu em 1958, em Antuérpia, na Bélgica, filha de pais judeus que sobreviveram ao Holocausto.

Sua infância foi marcada por uma realidade familiar em que questões como sobrevivência, relacionamento, identidade, medo e reconstrução estavam muito próximas.

Anos mais tarde, Perel transformaria parte dessas experiências em uma profunda curiosidade sobre a natureza das relações humanas.

Como as pessoas constroem vínculos?

O que faz duas pessoas permanecerem juntas?

Por que algumas relações conseguem atravessar décadas enquanto outras se desfazem?

E, principalmente:

o que acontece quando aquilo que buscamos no amor entra em conflito com aquilo que também desejamos como indivíduos?

Essas perguntas se tornariam centrais em sua trajetória.

Uma Nova Forma de Observar os Relacionamentos

Esther Perel tornou-se psicoterapeuta e passou a trabalhar diretamente com questões relacionadas a relacionamentos, intimidade, sexualidade e desejo.

Ao longo de sua carreira, começou a perceber algo que contrariava algumas das ideias mais tradicionais sobre relacionamentos.

O amor moderno passou a exigir muito.

Esperamos que uma única pessoa seja nosso parceiro, melhor amigo, confidente, companheiro de aventuras, fonte de segurança, apoio emocional e também objeto de desejo.

Queremos que essa pessoa nos dê estabilidade.

Mas também queremos que ela mantenha nossa vida interessante.

Queremos previsibilidade.

Mas também queremos novidade.

Queremos conhecer completamente o outro.

Mas também queremos continuar sentindo curiosidade.

Foi observando essas contradições que Perel começou a desenvolver uma das ideias mais marcantes de seu trabalho:

o amor e o desejo não funcionam exatamente da mesma maneira.

Quando Segurança e Liberdade Entram em Conflito

Em seus estudos e em seu trabalho clínico, Perel passou a explorar uma tensão presente em muitos relacionamentos.

De um lado, existe a necessidade humana de segurança.

Queremos alguém em quem confiar.

Queremos pertencimento.

Queremos saber que existe alguém ao nosso lado.

Queremos construir uma história.

Mas, do outro lado, também existe uma necessidade profundamente humana de liberdade.

Queremos continuar sendo indivíduos.

Queremos descobrir.

Experimentar.

Criar.

Ter nossos próprios pensamentos, interesses e espaços.

O problema aparece quando acreditamos que precisamos escolher apenas um dos lados.

Como se intimidade exigisse dependência.

Como se autonomia significasse distância.

Como se segurança significasse rotina.

Como se liberdade significasse ausência de compromisso.

Perel mostra que relacionamentos maduros precisam aprender a sustentar essas tensões.

Não eliminá-las.

Mas aprender a lidar com elas.

O Amor e o Desejo

Essa reflexão ganhou ainda mais força em seu livro Mating in Captivity, publicado originalmente em 2006.

A obra investiga um dos grandes paradoxos dos relacionamentos de longo prazo:

como manter vivo o desejo dentro de uma relação construída sobre familiaridade e segurança?

Quando conhecemos alguém, existe novidade.

Existe mistério.

Existe descoberta.

Mas, conforme os anos passam, conhecemos os hábitos, as manias, os horários, as reações e a rotina.

A familiaridade fortalece o vínculo.

Mas pode diminuir a sensação de novidade.

Por isso, Perel passou a defender uma compreensão mais complexa da intimidade.

Estar próximo não significa possuir completamente o outro.

Conhecer alguém não significa deixar de ter curiosidade sobre essa pessoa.

Amar não significa transformar o parceiro em uma extensão de si mesmo.

É justamente a existência de duas pessoas diferentes que permite que exista encontro.

A Individualidade Também Faz Parte do Amor

Essa é uma das grandes contribuições da modelagem de Esther Perel para esta semana.

Um relacionamento não precisa destruir a individualidade para construir intimidade.

Pelo contrário.

Duas pessoas podem compartilhar uma vida e continuar sendo duas pessoas.

Cada uma possui sua história.

Seus interesses.

Seus pensamentos.

Sua relação com o mundo.

Seus sonhos.

Sua identidade.

Quando uma pessoa abandona completamente quem é para se adaptar ao relacionamento, pode surgir uma dependência que inicialmente parece amor, mas que, com o tempo, pode gerar ressentimento.

Amar não deveria significar desaparecer.

Não deveria significar abandonar seus valores.

Não deveria significar deixar de existir como indivíduo.

Uma relação saudável precisa permitir que você diga:

“Eu escolho estar com você, mas continuo sendo eu.”

Essa consciência muda a maneira de amar.

Presença É Diferente de Proximidade

Outro aspecto importante do trabalho de Perel é a maneira como observamos a presença dentro dos relacionamentos.

Duas pessoas podem morar juntas e estar emocionalmente distantes.

Podem conversar todos os dias e não ter nenhuma conversa profunda.

Podem dividir responsabilidades e deixar de dividir experiências.

Podem estar fisicamente próximas e emocionalmente ausentes.

Isso acontece porque presença não é simplesmente estar no mesmo lugar.

Presença exige atenção.

Exige curiosidade.

Exige disponibilidade.

Exige interesse genuíno pelo mundo interior do outro.

Depois de muitos anos de relacionamento, uma pergunta continua sendo poderosa:

“Quem é você hoje?”

Não quem você era quando nos conhecemos.

Não quem eu imagino que você seja.

Mas quem você está se tornando agora.

Porque pessoas mudam.

E amar também significa estar disposto a conhecer novamente.

O Relacionamento Precisa Ser Cultivado

A trajetória de Perel nos ajuda a perceber que relacionamentos não permanecem vivos simplesmente porque um dia existiu amor.

Existe uma diferença entre iniciar uma relação e sustentar uma relação.

No início, a novidade faz parte da própria experiência.

Depois, é necessário intenção.

É necessário criar espaço para conversar.

Para rir.

Para experimentar.

Para ouvir.

Para descobrir.

Para reparar.

Para preservar a amizade.

Para cuidar do desejo.

Para respeitar a individualidade.

Para continuar escolhendo o relacionamento mesmo quando a vida fica ocupada.

Isso significa que amor também envolve responsabilidade.

Não responsabilidade no sentido de obrigação pesada.

Mas no sentido de consciência.

Eu participo daquilo que nosso relacionamento está se tornando.

Quando o Amor Entra no Automático

Um dos maiores riscos dos relacionamentos longos não é necessariamente a falta de amor.

É o automático.

O casal passa a funcionar.

Acorda.

Trabalha.

Resolve problemas.

Cuida dos filhos.

Paga contas.

Organiza a casa.

Dorme.

Repete.

E, sem perceber, o relacionamento passa a existir apenas dentro da logística da vida.

Mas relacionamento não é apenas logística.

Existe o casal por trás das funções.

Existe a amizade.

Existe a admiração.

Existe o desejo.

Existe a curiosidade.

Existe a conversa que não precisa resolver nada.

Existe o momento em que duas pessoas simplesmente se encontram novamente.

E isso também precisa ser escolhido.

A Escolha de Amar

É aqui que a modelagem de Esther Perel encontra diretamente o tema desta semana.

Amor como decisão.

Não significa que podemos simplesmente escolher sentir qualquer emoção.

Sentimentos não funcionam dessa maneira.

Não podemos ordenar ao coração que sinta.

Mas podemos escolher nossas atitudes.

Podemos escolher estar presentes.

Podemos escolher conversar.

Podemos escolher ouvir.

Podemos escolher cuidar.

Podemos escolher respeitar.

Podemos escolher reparar.

Podemos escolher continuar conhecendo.

Podemos escolher proteger a individualidade.

Podemos escolher não deixar que a rotina seja a única força organizadora da relação.

O sentimento pode iniciar a história.

Mas são as escolhas repetidas que ajudam a construir aquilo que a relação se torna.

Conexão com o Tema

“Amor Como Decisão: A Base da Maturidade Afetiva” ganha ainda mais profundidade quando observamos o trabalho de Esther Perel.

Sua trajetória mostra que:

  • amor não é apenas intensidade emocional

  • relacionamentos precisam de presença e consciência

  • intimidade não deve eliminar a individualidade

  • segurança e liberdade precisam coexistir

  • familiaridade não deve significar ausência de curiosidade

  • o desejo precisa de espaço para permanecer vivo

  • conflitos não anulam necessariamente o amor

  • relacionamentos precisam ser cultivados

  • estar junto não é o mesmo que estar presente

  • amar também envolve escolhas diárias

Encerramento

Esther Perel nos lembra que relacionamentos humanos são complexos porque nós somos complexos.

Queremos pertencer.

Mas também queremos liberdade.

Queremos segurança.

Mas também queremos novidade.

Queremos intimidade.

Mas também precisamos de individualidade.

O amor maduro não tenta eliminar essas necessidades.

Ele aprende a construir um espaço onde elas possam coexistir.

Por isso, amar não significa simplesmente esperar que o sentimento permaneça igual.

Significa continuar presente enquanto a vida muda.

Continuar conhecendo enquanto as pessoas se transformam.

Continuar escolhendo enquanto o relacionamento atravessa diferentes fases.

Porque o amor pode começar como sentimento.

Mas, para permanecer vivo, precisa também se transformar em atitude.

Em presença.

Em consciência.

Em cuidado.

Em escolha.

E talvez essa seja uma das maiores viradas da maturidade afetiva:

parar de esperar que o amor aconteça sozinho e começar a participar conscientemente da construção do amor que queremos viver.


🎧 Convidamos você a ouvir a modelagem completa desta semana em nosso canal do YouTube, permitindo que a trajetória de Esther Perel aprofunde sua compreensão sobre presença, vínculo, individualidade, desejo e as escolhas que sustentam um relacionamento verdadeiramente maduro.

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Quem escreveu

Andrea Maciel

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